sábado, novembro 04, 2006

Hamburguer Ville

"Dentro do carro do prefeito não tinha bicho nenhum, mas tinha um corpo lá dentro. Pra infelicidade de Tutu não era o prefeito. Tiraram ele de dentro do carro e revistaram seus bolsos atrás de chaves, pistas ou algo parecido."

Vocês acabaram de ler o trecho de uma história, com mais de cinquenta páginas não concluídas, que iniciei em 2002. Então, está explicado o número de erros gramaticais fora do comum.

Naquela época eu não lia tanto quanto hoje, e o que lia não me agradava tanto assim. Então eu achava melhor escrever meus próprios livros. O problema é que não consigo nunca dar fim as coisas e o número de obras inacabadas (entre elas Sasha Moby Dick) já não cabem mais nos meus dedos.

Hamburguer Ville foi o mais longe que cheguei de concluir uma obra. Eu a considerava uma das vinte maravilhas do mundo, eu cresceria, mandaria para uma editora, ficaria rica e teria minha tão sonhada mansão com minhas iniciais no portão. Dez anos depois viraria um filme e eu seria entrevistada pela Oprah. Olhando assim, pode-se pensar que era uma grande história...

Tudo começou quando eu estava folheando meu Guia de Vídeo e DVD 2002, da editora Nova Cultural quando caí na sinopse do filme Fantasmas . Achei incrível a idéia de uma cidade inteira desaparecendo, quis copiar, fazer minha própria versão da história, só que, ao invés de quatro personagens principais, eu usaria doze.

Meu número preferido é treze, mas doze para uma história era mais em conta. Os personagens eram puro estereótipo e dos mais mal feitos. Tinha todos os personagens básicos que você pode encontrar em qualquer filme americano pra teens.

Na história, doze alunos saem de férias e ao voltar encontram a cidade abandonada e coberta por uma neblina. Claro, pra não fugir do clichê, eles não se dão bem e tem que se virar pra sobreviver no meio da bagunça. Eu cheguei a escrever coisas horrivelmente absurdas como por exemplo, meus personagens presos na cidade-fantasma, sem contato com a civilização, e conseguindo usar telefone celular para se comunicarem entre si. Acrescente aí zumbis a la Resident Evil e personagens com nomes impronunciáveis como Arstein Hondjoff.

Olhando pras folhas de fichário, com caligrafia não melhor do que é hoje, sinto uma vontade louca de reescrever tudo e tentar melhorar a história. Mas com o passar desses quatro anos, peguei gosto mesmo foi pela crônica. Talvez um dia eu termine de contar o que aconteceu em Hamburguer Ville...

3 Comments:

Normal do Rócio said...

Eu também comecei livros, dois! Mas são tão sem graça, tão normais, que eu desisti ainda no começo.

E a história do Fórum com todas aquelas "lands"? Aquela merece um fim.

Nana Flash said...

Eu quero ler, parece taaum interessante :D
Nunca mais li um livro de açao e suspense que me lembrasse qdo eu era mais nova e lia os Karas :(

Lady Sith said...

Eu também queria ler esse livro! Mas queria mesmo saber de onde você tirou um nome como Hamburguer Ville. Ficou cômico. :D