sábado, janeiro 13, 2007

O livro de regras do Super Herói

Ser super herói significa muito mais do que amarrar um lençol em volta do pescoço, vestir o colan de ginástica da irmã e sair dando socos em bandidos. Há muitas coisas por trás do combate ao crime que não nos é permitido saber.

Os super heróis possuem um livro secreto de regras, criado pela Comissão Questionadora do Universo (CQU), feito para controlar o boom que ocorreu em meados do século XX. Nessa época qualquer um se sentia no direito de ser um novo vingador-justiceiro-mascarado. Surgiram homens morcegos, alienígenas, nerds picados por insetos, mutantes... enfim, parecia que alguém havia esquecido as portas do Mundo Bizarro abertas.
A primeira coisa a ser definida pela CQU foi a característica que poderia diversificar o herói do super herói. Após horas de discussão e uma partida de críquete, eles decidiram que

Para um herói ser considerado super, o mesmo necessitará de superpoderes. Os superpoderes podem ser naturais, provocados ou fabricados. No caso de fabricação, o produto deverá estar na garantia. A CQU não se responsabilizará por surtos, danos, ou falhas dos superpoderes.

Essa regra causou muitos problemas, pois um certo milionário de Gothan City não possuía superpoderes e queria ser super herói, por motivos pessoais. Nada que influência, dinheiro e uma caixa de bombons de licor não pudessem resolver. Decidiram então enquadrar o cinto de utilidades criado por ele como “superpoder fabricado”. Pediram a ele apenas que fizesse regularmente a manutenção do produto.
Outra coisa que os velhinhos da CQU pensaram foi a respeito da identidade. Achavam que alguns espertinhos poderiam usar a fama e os superpoderes em proveito próprio; para arranjar algumas garotas, conseguir desconto em restaurantes ou lojas de conveniência, ou ter vaga vitalícia em estacionamentos. Foi então que decidiram que

Todo super herói deverá manter sua identidade em sigilo, sendo liberado o uso de máscaras, acessórios, uniforme, maquiagem, etc. Como manter a boca totalmente fechada é complicado, ele poderá contar o segredo para alguém de sua inteira confiança. Caso a informação “vaze” a responsabilidade será inteiramente do super herói.

Mas e as criancinhas? Se não pensassem nelas os fiscais caíriam matando em cima e nem adiantaria pagar um cafezinho... Eles precisavam de um regra sobre bom exemplo! Lavar as mãos antes de comer, escovar os dentes três vezes ao dia, atravessar a rua na faixa, não se embriagar usando uniforme, essas coisas... O não cumprimento da regra acarretaria multa. Dizem as más línguas do mundo super que um baixinho canadense penhorou até o esqueleto de adamantium pra conseguir pagar!

A grande quantidade de regras foi a maior responsável pelo número de vilões ser bem maior que o de mocinhos. Não adiantou nenhum protesto, não adiantou a formação de grupos, nem a criação de um sindicato. Pra não perder a licença de super-herói eles teriam que dançar conforme a música (e olha que a música era mambo...).

Deixaram pro final do livro o que, segundo eles, era a regra mais importante, aquela que viria em letras minúsculas, dizendo que

Por serviços prestados, a CQU terá direito a 5% dos lucros dos produtos licenciados que levarem a marca de qualquer super herói.

Pensa que acabou? Ainda tem muito mais! As outras regras estão contidas no Livro de Regras do Super Herói, que pode ser adquirido por qualquer super herói, após o envio de um formulário de cinco páginas, na cor de seu uniforme, em três vias devidamente preenchidas.

3 Comments:

Normal do Rócio said...

Que 10, Mymi. Gostei muito do meio pro fim.
Não entendo como você não foi uma das selecionadas.

Fabiana said...

Muito bom o seu texto. Uma belo trabalho jornalístico, não é?

Lady Sith said...

A CQU também tem alguma regra sobre envolvimentos amorosos ou é apenas coincidência todo herói ser apaixonado por uma mulher que não lhe dá a mínima?

Achei muito criativo.